
Como muitos clubes do leste europeu, o Estrela Vermelha foi fundado ao final da Segunda Guerra. Em
fevereiro de 1945, um grupo de jovens pertencentes a uma associação antifascista decidiu criar uma agremiação
esportiva, que dias depois, em 4 de
março, passou a se chamar Estrela Vermelha de Belgrado.
É o clube mais vencedor do futebol sérvio, dentre campeonatos disputados sob as bandeiras da
Iugoslávia, Sérvia e Montenegro e Sérvia, são 25 campeonatos e 22 copas nacionais. Fora de seus domínios também é muito bem sucedido, em 91 foi campeão europeu e mundial.
O primeiro título nacional foi conquistado de forma
espetacular. Faltando 3 rodadas para o término da temporada 50/51, o Dínamo de Zagreb liderava com 5 pontos de vantagem. Na rodada seguinte, a equipe croata foi derrotada e o Estrela Vermelha venceu, diminuindo a vantagem para 3 pontos (vale lembrar que naquela época a vitória valia 2 pontos). Na penúltima rodada as duas equipes se enfrentaram, com vitória para os sérvios. Finalmente na última rodada, o Dínamo empatou com o
BSK e o Estrela Vermelha venceu seu grande rival, o
Partizan por 2x0. Empatados em pontos, o campeão foi decidido pela média de
gols e os sérvios foram campeões
iugoslavos pela primeira vez graças a uma vantagem de 0,0018 na média de
gols,
impressionante!
Com um futebol ofensivo e recheado de jogadores de qualidade, os
iugoslavos eram conhecidos como os brasileiros da
Europa. O Estrela Vermelha sempre foi adepto deste estilo de jogo e, com uma equipe brilhante, venceu a
Champions League na temporada 90/91 contra o
Olympique de
Marseille. Depois de 120 minutos sem
gols, o jogo foi decidido nos
pênaltis, os sérvios converteram suas 5 cobranças e o
goleiro Stojanovic garantiu a taça. Em
dezembro disputaram a Copa
Intercontinental, considerado o mundial de clubes a época, contra o Colo-Colo e venceram por 3x0. Fizeram parte daquele
time grandes jogadores como
Jugovic,
Mihajlovic,
Savicevic,
Prosinecki e
Pancev.
Um dos maiores jogadores da história do
time e do futebol
iugoslavo,
Dragan Stojkovic, fez parte dessa geração, mas não participou da festa do título europeu, pois um ano antes transferiu-se
exatamente para o
Olympique de
Marseille. Ele começou a partida no banco e entrou no fim da prorrogação, já que era um exímio cobrador de
pênaltis. Mas para a surpresa de todos, o jogador recusou-se a entrar na lista dos batedores devido à sua ligação com o ex-clube. Muito ídolo! Mais tarde o ex-jogador foi presidente do Estrela Vermelha de 2005 a 2007.
Seduzidos por boas propostas dos grandes clubes europeus e devido ao aumento da tensão entre as repúblicas que formavam a
Iugoslávia, grande parte desses jogadores deixou a equipe em 92 e o Estrela Vermelha nunca mais teve uma geração tão vitoriosa.
O estádio do clube é mais uma referência ao futebol brasileiro, devido à sua grande capacidade, cerca de 110 mil lugares, a torcida o apelidou de
Marakana. Hoje em dia, após reformas para se adequar às normas de segurança da UEFA, o estádio comporta 55 mil pessoas confortavelmente.
Seu grande rival na Sérvia é o
Partizan Belgrado, que já foi nosso
time da semana,
clique aqui para ler o
post. Na campeonato
iugoslavo, também tinha grande rivalidade com o Dínamo Zagreb da Croácia. Um confronto épico entre as duas equipes em maio de 1990 foi marcado por grande confusão. O clima estava tenso na
Iugoslávia devido às eleições
multipartidárias, que decretaram a vitória de partidos nacionalistas com tendências separatistas. Os croatas faziam pressão pela independência e a briga política foi parar no campo. A torcida do Estrela Vermelha entoava cânticos de louvor a Sérvia (circulavam boatos de que um líder nacionalista sérvio, conhecido como
Arkan e procurado pela
Interpol, estava no estádio). Eles foram atacados pelos
Bad Blue Boys, torcida organizada do Dínamo. A polícia, de maioria sérvia, repreendeu violentamente os croatas. Os jogadores do Dínamo continuaram no campo e, um deles,
Boban, deu um chute em um policial que agredia um torcedor croata,
inflando ainda mais a torcida. O reforço policial chegou e conseguiu controlar a multidão. O confronto deixou centenas de feridos, alguns esfaqueados.
Essa confusão marcou o início do fim do campeonato
iugoslavo, a partir de 92 a competição foi disputada sem equipes da Croácia,
Eslovênia, Bósnia-Herzegovina e
Macedônia. O incidente também ficou simbolicamente conhecido como o início da Guerra de Independência da Croácia e o jogador
Boban passou a ser considerado um herói nacional.
Brigas a parte, o Estrela Vermelha possui fortes laços de amizade com o
Olympiacos e o
Spartak Moscou, ambos já homenageados no blog. Seus torcedores formam os "Irmãos Ortodoxos", essa união decorre do fato de as populações da Sérvia, Rússia e Grécia serem formadas por uma maioria de Cristãos Ortodoxos.
Por fim, mais uma curiosidade. O Estrela Vermelha foi o último campeão
iugoslavo na temporada 90/91 e o primeiro vencedor do novo campeonato sem as equipes da Croácia,
Eslovênia e Bósnia, na temporada 91/92. Anos mais tarde, foi o campeão do último campeonato sérvio-
montenegrino antes da separação das repúblicas, na temporada 2005/06 e o primeiro vencedor do
recém-criado campeonato sérvio em 2006/07.