terça-feira, 16 de março de 2010

O Fracasso Galáctico

Seguindo mais uma sugestão do amigo Pedrão, leitor assíduo do Blog, abordaremos o projeto galáctico do Real Madrid de Florentino Pérez e suas consequências. Já adianto que meu coração, metade blaugrana, afetará a imparcialidade do post, mas vamos ver o que vai dar...

É fato que o projeto apresentou retornos financeiros e de marketing, mas dentro de campo a história foi bem diferente. Florentino Pérez chegou à presidência do clube em julho de 2000, prometendo acabar com a histórica dívida do Real e a contratação de grandes jogadores.

Sua primeira passagem pela presidência durou até 2006, nesse período contratou jogadores como Zidane, Figo, Ronaldo e Beckham, mas venceu apenas uma Champions League, na temporada 2001/02 e dois Campeonatos Espanhóis em 2001 e 2003. Alguns vão argumentar que ganhar um título europeu em seis anos não é pouco. Pode até não ser, mas diante dos investimentos feitos, por exemplo, o Zidane custou 72 milhões de Euros e o Figo 56 milhões, é pouco sim! Sem contar que nas outras temporadas, a equipe caiu em duas semi-finais, até aí tudo bem, mas nos outros anos, foram duas eliminações nas oitavas e uma nas quartas. Apenas uma final para um time galáctico é pouco! Gastando bem menos, o Barcelona em 4 temporadas venceu duas Champions e chegou a uma semi-final.

Mas e aí, qual o porquê desse fracasso? Existem diversos motivos. O mais evidente é a fragilidade do setor defensivo, já que o Florentino apenas preocupava-se em contratar jogadores de frente, pois esses atraíam mais mídia. A situação chegou ao ponto de a imprensa espanhola contestar a saída do volante Claude Makélélé em 2003. Vejam só, um time recheado de estrelas, estava sentido a falta de um volante. Pois é, todo time precisa de um jogador estilo carregador de piano para segurar as pontas na defesa. No mais, jogadores limitados como Michel Salgado, Helguera, Raúl Bravo, Ivan Campo, Pavón, Miñambres e Karanka contrastavam com o galáctico setor ofensivo da equipe.

Outra explicação é a constante troca de técnicos. Após um período sólido com o Vicente Del Bosque, que comandou a equipe de 99 a 2003, o Real teve 5 treinadores de 2003 a 2006 (Carlos Queiroz, José Antonio Camacho, Mariano Garcia Remón, Vanderlei Luxemburgo e Juan Lopez Caro). Não é difícil concluir que esse 5 técnicos não ganharam nada no clube. Até quem começou a entender ontem de futebol sabe que se um técnico não tiver tempo para desenvolver seu trabalho, não tem como dar certo.

O segundo projeto galáctico começou ano passado com a volta do Florentino Pérez à presidência do clube. Mas esse projeto já começa fracassado, pois mesmo se o time vier a ganhar a Liga Espanhola, nada vai apagar o fiasco de mais uma eliminação nas oitavas da Champions League, a sexta seguida, dessa vez para o Lyon, após gastar mais de 200 milhões de Euros na montagem da equipe. E o pior, nesse ano a final será no Santiago Bernabéu. Pois é, os madrilenhos terão que ver outro time levantar a taça no seu estádio.

E os motivos desse fracasso inicial?

Vamos lá, o elenco foi mal montado, jogadores eficientes e técnicos como Robben e Sneijder não poderiam ser dispensados da forma como foram, sendo vendidos a preço de banana. O técnico é fraco, mais uma troca virá aí no final da temporada e, como já abordei em outro post, o Kaká vem sendo mal escalado. Se não fossem os gols do argentino Higuaín e as boas jogadas do badaladinho Cristiano Ronaldo, a situação seria bem pior.

Como foi muito bem observado pelo amigo Pedrão, guardadas as devidas proporções, existe uma relação entre a política de gastos excessivos do Real com o Fluminense. O time das Laranjeiras adora esbanjar o dinheiro da Unimed em contratações de renome e retorno duvidoso dentro de campo. A partir de 2000, quando se iniciou o contrato de patrocínio, o time conquistou apenas 2 Campeonatos Cariocas e uma Copa do Brasil, é pouco, bem pouco! Treinadores foram mais de 20 no período, está aí o porquê da escassez de conquistas.

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